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Golpe do QR Code pode desviar pagamentos por boleto e Pix; veja como se proteger

 O consumidor escaneia um QR Code para pagar uma conta, confere o valor e conclui a operação. Só depois percebe que o dinheiro foi enviado a uma pessoa desconhecida. Esse é um dos caminhos do golpe conhecido como "quishing", em que criminosos usam códigos adulterados para desviar pagamentos.


O golpe pode ocorrer em estabelecimentos físicos, páginas de comércio eletrônico e boletos impressos. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alerta que o código falso pode substituir o legítimo sem que o restante da página ou do documento apresente alterações evidentes.


Em restaurantes, feiras e estacionamentos, por exemplo, criminosos podem colar um adesivo com um QR Code falso sobre o código original do estabelecimento. Ao fazer a leitura, o cliente é direcionado a um pagamento para a conta dos fraudadores, embora acredite estar pagando pelo produto ou serviço consumido.


Na internet, a fraude pode ocorrer quando criminosos alteram os dados de pagamento de uma página ou criam um site falso que imita o de uma loja conhecida. O consumidor pode seguir as etapas da compra normalmente, mas o dinheiro acaba destinado a outra conta.


O mesmo risco existe em boletos impressos que oferecem pagamento por QR Code. Nesse caso, o código pode ter sido substituído para direcionar o valor a uma conta controlada pelos criminosos.


"Antes de concluir qualquer pagamento por QR Code, é fundamental conferir os dados exibidos pelo aplicativo da instituição financeira, principalmente o nome do recebedor e o valor da transação. Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido", afirma Raphael Mielle, diretor de serviços e segurança da Febraban.


Quando o código inicia um Pix, o dinheiro é transferido instantaneamente para a conta indicada. Isso também vale para QR Codes inseridos em boletos —apesar de o documento ser um boleto, o pagamento por esse meio funciona como um Pix, sem o prazo de compensação do boleto tradicional.


Por isso, quem perceber que fez um pagamento fraudulento deve entrar em contato com o banco imediatamente e solicitar a contestação da transação. Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar o comprovante, o boleto ou a página usada no pagamento, além de mensagens e outros registros que ajudem a demonstrar como a fraude aconteceu.


Nos casos de Pix, o consumidor pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado pelo Banco Central para permitir a recuperação de valores transferidos em situações de fraude. O pedido deve ser feito à instituição financeira em até 80 dias após a transação.


Após a contestação, as instituições envolvidas analisam o caso e podem bloquear valores disponíveis nas contas relacionadas à fraude. Se o golpe for confirmado, o dinheiro poderá ser devolvido integral ou parcialmente. Se os criminosos já tiverem retirado os recursos e não houver saldo suficiente nas contas envolvidas, porém, a vítima poderá não recuperar todo o valor.


O banco não é automaticamente obrigado a cobrir qualquer prejuízo decorrente de um golpe. A eventual responsabilidade depende das circunstâncias da fraude e da existência de falhas na prestação do serviço bancário.


Um levantamento do Observatório Rosenbaum de Golpes e Fraudes Bancárias, mantido pelo escritório Rosenbaum Advogados, identificou 1.041 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre golpes do falso boleto entre junho de 2025 e agosto de 2026.


Em metade dos casos, os consumidores obtiveram ressarcimento total ou parcial. Em outros cinco tribunais estaduais analisados, o índice foi de 36,9%. O resultado de cada ação depende das provas e das circunstâncias do caso.


Fonte: Folha Online

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Anvisa determina suspensão de lotes falsificados de gel íntimo e antitranspirante

 No caso do Hidrafemme, medida foi tomada após a identificação de unidades falsificadas do produto sendo vendidas pela internet. Já no caso do Perspirex, os lotes foram fabricados por uma empresa desconhecida.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de um lote falsificado do Hidrafemme - Gel Hidratante Intravaginal e determinou a apreensão de dois lotes do Perspirex Strong Antitranspirante Axilar, fabricados por uma empresa desconhecida.


As medidas foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (2).


No caso do Hidrafemme, a medida foi tomada após a identificação de unidades falsificadas do produto sendo vendidas pela internet.


Já no caso do Perspirex, a Anvisa determinou a apreensão de dois lotes que, segundo a resolução, foram fabricados por uma empresa desconhecida que utilizou os dados cadastrais da Megalabs na rotulagem.


A Anvisa proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso, além de determinar o recolhimento do Hidrafemme - Gel Hidratante Intravaginal, identificado como "lot 2 2511006".


Segundo a resolução, a Helianto Farmacêutica Ltda., responsável pelo registro do produto, identificou unidades comercializadas pela plataforma de comércio eletrônico Shopee que apresentavam características diferentes das embalagens originais.


Entre as diferenças, estavam o número de lote "lot 2 2511006", que não foi comercializado no Brasil, e uma codificação que não seguia o padrão dos lotes do Hidrafemme.


A Anvisa também apontou que a caixa era muito menor que a original, os aplicadores eram diferentes e não cabiam dentro da embalagem. Além disso, o rótulo da bisnaga era um papel impresso colado.


A agência considerou que as características indicavam se tratar de falsificação.


A Anvisa também determinou a apreensão e proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso dos lotes 614323 e 614326 do Perspirex Strong Antitranspirante Axilar.


De acordo com a resolução, a Megalabs Farmacêutica S.A., cujos dados cadastrais aparecem na rotulagem, afirmou desconhecer a fabricação do produto.


As unidades eram comercializadas por uma empresa desconhecida e utilizavam na embalagem os dados cadastrais da Megalabs na Anvisa.


Fonte: G1

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Problemas com bets? Campanha indica como o SUS pode ajudar a sair dessa armadilha

 Pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas podem buscar atendimento gratuito nas UBS, nos CAPS e por teleatendimento pelo Meu SUS Digital


O uso problemático de jogos e apostas online pode afetar a saúde mental, a vida financeira, a rotina e as relações familiares e sociais. Para orientar a população sobre sinais de alerta, prevenção e formas de buscar ajuda, o Ministério da Saúde iniciou, nesta semana, a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online . O material está disponível no site e nas redes sociais da pasta.


A campanha reúne depoimentos e um tutorial que orienta o usuário a realizar um autoteste para identificar possíveis riscos relacionados às apostas. As respostas são anônimas e não ficam armazenadas. De acordo com o resultado, são indicadas opções de orientação e cuidado, como o teleatendimento disponível no Meu SUS Digital , a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda, e os serviços presenciais do SUS.


Acesse os materiais da campanha e veja locais de atendimento


O transtorno do jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Entre os sinais de alerta estão esconder ou mentir sobre o tempo ou o dinheiro gasto com apostas; tentar recuperar perdas apostando novamente; comprometer contas, salário ou economias; apresentar alterações no sono, no humor ou na rotina; deixar de realizar atividades importantes; e ter conflitos familiares relacionados às apostas.


Teleatendimento pelo Meu SUS Digital


Na página inicial, o usuário deve acessar “ Miniapps ”, selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?” e responder ao autoteste. Essa ferramenta é acessível a toda a população para avaliação da sua relação com o jogo e identificação de riscos. Quando identificado risco moderado ou elevado, é feito o encaminhamento para teleatendimento.


A oferta, inicialmente de 600 atendimentos mensais, foi ampliada em agosto para até 100 mil teleatendimentos por mês. O atendimento é realizado por videochamada, com profissionais capacitados. Após a avaliação, a pessoa pode continuar o acompanhamento remoto ou ser encaminhada para atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) . Já foram registrados mais de 170 mil acessos.


Na rede presencial, a UBS é uma das portas de entrada para acolhimento e avaliação inicial. Quando necessário, o usuário pode ser encaminhado a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou a outros serviços da RAPS.


Orientações para prevenção


A campanha também recomenda medidas para reduzir a exposição a conteúdos relacionados às apostas, como deixar de seguir perfis que os divulgam, evitar clicar ou compartilhar essas publicações e utilizar as ferramentas das redes sociais para indicar que não há interesse nesse tipo de conteúdo.


Outra ferramenta é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão , do Ministério da Fazenda, que permite ao cidadão solicitar voluntariamente o bloqueio do CPF nas plataformas de apostas autorizadas.


Medida Provisória proíbe bets no país


O enfrentamento aos impactos das bets no Brasil também envolve ações de fiscalização e repressão às atividades ilegais, além de medidas de proteção aos usuários. A fiscalização envolve a atuação articulada de diferentes órgãos federais. Um comitê interinstitucional, coordenado pela Casa Civil, reúne representantes de órgãos como Ministério da Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal (PF), Banco Central (BC), Ministério da Fazenda, Advocacia-Geral da União (AGU), Receita Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).


Até esta terça-feira (29), foi solicitada a derrubada de 5.209 domínios relacionados à exploração de apostas.  Também foram removidas 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram, e 186 aplicativos foram notificados para retirada das lojas da Apple e do Google.


O governo federal também realiza ações de mensageria para orientar a população sobre medidas relacionadas à retirada de seus saldos nas contas de empresas de apostas. As mensagens, enviadas por WhatsApp, informam sobre prazos e procedimentos para a retirada ou devolução de valores mantidos em sites e aplicativos de apostas. O Fala.BR também está disponível como canal para denúncias de oferta ilegal de apostas.


Por Ministério da Saúde


Fonte: www,gov.br 

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Governo cobra na Justiça gastos do SUS com tratamento de apostadores

 

A AGU anunciou que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A Advocacia-Geral da União anunciou nesta segunda-feira (28/9) que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A ação civil pública foi protocolada na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 plataformas de apostas esportivas e pede a reparação mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.


A AGU também pediu à Justiça a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia, sintoma que é caracterizado pelo vício compulsivo em jogos. O órgão citou que os gastos do SUS são maiores do que os valores arrecadados pelo governo com os impostos pagos pelas bets, que repassariam cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.


“As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo”, argumentou a autora da ação.


A AGU acrescentou que o modelo de negócio das plataformas é estruturado para maximizar o tempo de engajamento e o volume de apostas, mecanismos que favorecem o vício.


“Esses elementos, tecnicamente equivalentes aos utilizados em jogos de azar com potencial reconhecido de geração de dependência, produzem um efeito colateral sistemático: o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, sob a forma de ansiedade, quadros depressivos, transtorno do jogo e, em casos extremos, ideação suicida associada ao endividamento.”


Mais cedo, entidades que representam as plataformas de apostas pediram ao Supremo Tribunal Federal a derrubada da medida provisória que proibiu a exploração e publicidade das bets.


Em seguida, a AGU pediu prazo de 72 horas para se manifestar no processo, que será analisado pelo ministro Luiz Fux.


No entendimento de especialistas consultados pela revista eletrônica Consultor Jurídico, a escolha do governo de proibir as bets por meio de uma MP fere a Constituição, já que o tema não tem a urgência necessária para justificar o uso desse mecanismo.


Fonte: Conjur 

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Bets e jogos online estão proibidos: confira o cronograma das novas medidas

 Decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, como o 'jogo do tigrinho'. Apostadores que ainda tiverem saldo não-usado nas plataformas receberão esses valores de volta. Vício em apostas tornou-se problema de saúde pública


Nesta sexta-feira, 25 de setembro, foi publicada medida provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.


Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas t êm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.


Confira o cronograma das medidas:


- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.


Fiscalização e combate ao mercado ilegal


O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para o bloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.


A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, à exploração e à publicidade das bets.


As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.


Projeto de lei vai tipificar crimes


Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O projeto vai entrar em vigor após aprovação do Congresso Nacional. A proposta tipifica cinco condutas:


exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);

divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);

uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);

facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e

fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou

localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).

Em defesa da saúde pública


Do jogo do bicho ao tigrinho: a história da jogatina e das bets no Brasil

Publicado em 29/09/2026 , por BBC Brasil


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Governo cobra na Justiça gastos do SUS com tratamento de apostadores

Publicado em 29/09/2026 , por Conjur


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A AGU anunciou que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A Advocacia-Geral da União anunciou nesta segunda-feira (28/9) que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A ação civil pública foi protocolada na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 plataformas de apostas esportivas e pede a reparação mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.


A AGU também pediu à Justiça a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia, sintoma que é caracterizado pelo vício compulsivo em jogos. O órgão citou que os gastos do SUS são maiores do que os valores arrecadados pelo governo com os impostos pagos pelas bets, que repassariam cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.


“As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo”, argumentou a autora da ação.


A AGU acrescentou que o modelo de negócio das plataformas é estruturado para maximizar o tempo de engajamento e o volume de apostas, mecanismos que favorecem o vício.


“Esses elementos, tecnicamente equivalentes aos utilizados em jogos de azar com potencial reconhecido de geração de dependência, produzem um efeito colateral sistemático: o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, sob a forma de ansiedade, quadros depressivos, transtorno do jogo e, em casos extremos, ideação suicida associada ao endividamento.”


Mais cedo, entidades que representam as plataformas de apostas pediram ao Supremo Tribunal Federal a derrubada da medida provisória que proibiu a exploração e publicidade das bets.


Em seguida, a AGU pediu prazo de 72 horas para se manifestar no processo, que será analisado pelo ministro Luiz Fux.


No entendimento de especialistas consultados pela revista eletrônica Consultor Jurídico, a escolha do governo de proibir as bets por meio de uma MP fere a Constituição, já que o tema não tem a urgência necessária para justificar o uso desse mecanismo.


Fonte: Conjur 

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Bets e jogos online estão proibidos: confira o cronograma das novas medidas

 Decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, como o 'jogo do tigrinho'. Apostadores que ainda tiverem saldo não-usado nas plataformas receberão esses valores de volta. Vício em apostas tornou-se problema de saúde pública


Nesta sexta-feira, 25 de setembro, foi publicada medida provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.


Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas t êm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.


Confira o cronograma das medidas:


- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.


Fiscalização e combate ao mercado ilegal


O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para o bloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.


A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, à exploração e à publicidade das bets.


As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.


Projeto de lei vai tipificar crimes


Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O projeto vai entrar em vigor após aprovação do Congresso Nacional. A proposta tipifica cinco condutas:


exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);

divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);

uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);

facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e

fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou

localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).

Em defesa da saúde pública


Do jogo do bicho ao tigrinho: a história da jogatina e das bets no Brasil

Publicado em 29/09/2026 , por BBC Brasil


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Trajetória tem capítulos muito anteriores às polêmicas bets que se tornaram problema econômico e de saúde pública e foram proibidas pelo presidente Lula (PT) na última semana.


Proibidos atualmente, tanto na versão online quanto na "presencial", cassinos já foram legalizados no Brasil no passado. Não só legalizados, mas eram entretenimento noturno para muitos.


No famoso Cassino da Urca, que operou como tal de 1933 até a proibição dos jogos no Brasil, em 1946, Carmen Miranda era constante na programação — Ary Barroso, Dalva de Oliveira e Emilinha Borba também frequentavam o palco da casa.


A história da jogatina no Brasil tem capítulos muito anteriores às polêmicas bets que se tornaram problema econômico e de saúde pública recentemente.


Jogo do bicho, cassinos, bingos e bets comungam mais do que a lógica da aposta e o atrativo a jogadores compulsivos; em dado momento, todos se tornaram proibidos no país — as apostas on-line, na semana passada, por medida provisória do governo federal.


O marco jurídico que tornou jogos de azar proibidos no Brasil data do Estado Novo de Getúlio Vargas (1882-1954). Oitenta e cinco anos atrás, em 3 de outubro de 1941, sua gestão publicou a chamada Lei de Contravenções Penais.


Na prática, estava criminalizada a prática de jogos de azar — por definição da lei, jogo "em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte", "apostas sobre corrida de cavalos" fora dos hipódromos - que seguem operando até hoje - e "apostas sobre qualquer outra competição esportiva".


"Apostar em futebol, a partir de uma análise literal da legislação de 1941, sempre foi jogo de azar", comenta o advogado Pedro Ramunno, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.


"Historicamente, o Brasil proíbe a exploração dos chamados jogos de azar", resume a advogada Priscila Arraes Reino, autora do livro Burnout Tem Lei e que, ultimamente, vem analisando casos de ludopatia.


Professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o advogado Marcelo Crespo complementa que a postura brasileira "sempre foi bastante restritiva" em relação à jogatina.


Muito antes da febre do "jogo do tigrinho", um dos alvos da legislação era o famoso jogo do bicho, modalidade inventada pelo empresário João Batista Viana Drummond para incrementar a renda de seu zoológico, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro.


Em 1892 ele criou um sistema em que, junto com o ingresso para o zoo, cada frequentador ganhava um bilhete referente a um dos 25 animais de uma tabela. No fim do dia, um sorteio rendia prêmio aos felizardos que tivessem o bicho contemplado.


A ideia virou sucesso e, em pouco tempo, já tinha ultrapassado — e muito — os muros que cercavam o zoológico. O poder público viu problema na jogatina e começou a criar mecanismos para combater a prática — em 1899, por exemplo, foi instituída uma lei que pretendia punir quem participasse.


Na clandestinidade, o jogo prosperou com uma estrutura complexa de bancas, cambistas e banqueiros, enraizada na sociedade e, ao mesmo tempo, ligada à criminalidade.


Mas se a lei de 1941 enquadrou os jogos de azar, uma exceção, por vezes com contornos de luxo, foi mantida: os cassinos.


O ponto-chave é que o governo Vargas passou a tratar esses espaços de entretenimento e jogatina como exceção, argumentando que os espaços eram importantes para a economia, o lazer e o turismo.


Somente em 1946, já sob a presidência de Eurico Gaspar Dutra (1883-1974) é que os cassinos foram enquadrados: o novo decreto anulou as licenças dessas casas de jogos e revogou normas anteriores que permitiam o funcionamento delas.


"Desde então, o modelo brasileiro é basicamente o que se tem até agora: jogo é proibido, com exceções abertas pelo próprio Estado", diz Ramunno.


Nessa mesma época, foram criadas as bases para as loterias exploradas pelo próprio Estado — jogos de apostas no Brasil se tornaram monopólio de serviços públicos autorizados e regulados pela própria máquina estatal.


Essa estrutura foi regulamentada por decreto do governo Vargas, de 1944 e, mais tarde, já na ditadura militar, em 1967, nova lei consolidou que a loteria federal era serviço exclusivo da União — desde 2020, o privilégio se estendeu aos Estados também.


"Dentro desse contexto, a grande exceção são as loterias", ressalta Ramunno.


"Existe historicamente a distinção entre jogos de azar e a modalidade de apostas expressamente autorizadas por lei, como as lotéricas", esclarece Crespo.


Por isso o mesmo arcabouço legal que lançou o jogo do bicho para a clandestinidade permite a mega-sena, a quina e a loteria federal, entre outras modalidades de aposta — com controle estatal e parte da arrecadação destinada a finalidades determinadas por lei.


Mas não era o fim da linha para o negócio da jogatina. "O esporte já teve uma experiência parecida antes das bets, os bingos", afirma Ramunno.


A partir dos anos 1990, foram liberadas as casas de bingo. Tais espaços foram tratados como exceção temporária e o argumento era que o dinheiro arrecadado com eles seriam revertidos para o financiamento do esporte — o dispositivo estava previsto na Lei Zico, instituída naquele ano. Em 1998, a Lei Pelé manteve a autorização aos bingos — que foram regulamentados.


O modelo acabou, mas não foi de uma hora para a outra. Na sua primeira passagem ao Planalto, o presidente Lula tentou proibir expressamente todas as modalidades de bingo e caça-níqueis, em 2004.


Assim como ocorreu com as bets, ele publicou medida provisória proibindo a atividade.


"É um precedente curioso para o momento atual", afirma Ramunno.


De lá para cá, bingos ficaram restritos a eventos beneficentes e ocasiões como festas juninas. Em uma zona cinza: são tolerados, mas não regulamentados.


Há ainda casos dos títulos de capitalização — o exemplo mais famoso é da Tele Sena, criada em 1991 por uma empresa do grupo do apresentador de TV e empresário Silvio Santos (1930-2024).


Embora tenha premiações e envolva sorteio de números, o seu funcionamento é garantido porque tecnicamente ela não é um jogo, mas sim um investimento — parte do dinheiro se transforma em capital que pode ser resgatado de acordo com as regras do produto, a outra parcela financia as despesas e os sorteios.


No âmbito das apostas on-line, as famosas bets, a autorização foi um pouco diferente.


Em dezembro de 2018, no apagar das luzes do governo de Michel Temer, foi aprovada as chamadas apostas de quota fixa, abrindo espaço para as bets e aplicativos online como o famoso jogo do tigrinho.


"O Brasil não tinha legalizado os jogos de azar em 2018, mas sim o Congresso acabou criando uma exceção legislativa", compara Crespo.


Segundo Ramunno, as apostas de quota fixa foram "encaixadas juridicamente como modalidade lotérica, portanto como serviço público da União, mas explorado por empresas privadas em regime de concorrência".


A lei deu dois anos, prorrogáveis por mais dois, para o Ministério da Fazenda regulamentar. O prazo venceu no fim de 2022 sem regulamentação.


Foi então que se abriu o limbo. "A atividade estava autorizada por lei, mas não havia regra nenhuma", afirma Ramunno.


"As empresas, quase todas sediadas em Curaçao, Malta e outros paraísos regulatórios, entraram no mercado brasileiro pela internet. Não pagavam imposto no Brasil, não tinham que identificar o apostador e não seguiam nenhuma regra de publicidade. Só em dezembro de 2023, com a Lei 14.790, o setor ganhou, de fato, um marco regulatório."


"[No caso das bets] o problema foi que a atividade foi regularizada antes de existir regulamentação", argumenta a advogada Reino. "Esta é uma lição importante: muito mais difícil controlar o mercado depois que ele já adquiriu enorme dimensão econômica e social."


Só em 2023 veio a regulamentação e, de lá para cá, uma série de ajustes e dispositivos foram implementados buscando coibir os problemas financeiros e de saúde desencadeados pela compulsão.


A mesma lei de 2023, além das apostas esportivas, incluiu os chamados "jogos online". "Em outras palavras, caça-níquel, roleta, os crash games, o tigrinho. Então, na prática, o Brasil legalizou o cassino online e manteve proibido o cassino físico, feito de tijolo e cimento", diz Ramunno.


"E qual a diferença para as loterias? Na loteria clássica, o prêmio sai do rateio do que foi arrecadado, o organizador é o Estado e o apostador joga uma ou duas vezes por semana. Na quota fixa, o valor do prêmio fica definido no momento da aposta", compara Ramunno.


"A casa aposta contra o apostador, o operador é privado, o produto está no celular 24 horas por dia, com jogos acontecendo no mundo inteiro a todo minuto. Juridicamente, as duas coisas estão sob o mesmo guarda-chuva de modalidade lotérica. Na prática, são produtos completamente diferentes, inclusive no potencial de causar dependência."


Autor do livro Futebol S/A: A Economia em Campo, o jornalista Anderson Gurgel, professor no Mackenzie, acredita que o problema das apostas do Brasil é que "a sociedade brasileira, de maneira sistêmica, ficou viciada no mundo das bets."


Não só as pessoas que jogam, argumenta ele. "A mídia, o mundo do futebol e a sociedade como um todo ficaram dependentes", diz ele.


Fonte: BBC - Brasil