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Governo cobra na Justiça gastos do SUS com tratamento de apostadores

 

A AGU anunciou que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A Advocacia-Geral da União anunciou nesta segunda-feira (28/9) que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A ação civil pública foi protocolada na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 plataformas de apostas esportivas e pede a reparação mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.


A AGU também pediu à Justiça a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia, sintoma que é caracterizado pelo vício compulsivo em jogos. O órgão citou que os gastos do SUS são maiores do que os valores arrecadados pelo governo com os impostos pagos pelas bets, que repassariam cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.


“As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo”, argumentou a autora da ação.


A AGU acrescentou que o modelo de negócio das plataformas é estruturado para maximizar o tempo de engajamento e o volume de apostas, mecanismos que favorecem o vício.


“Esses elementos, tecnicamente equivalentes aos utilizados em jogos de azar com potencial reconhecido de geração de dependência, produzem um efeito colateral sistemático: o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, sob a forma de ansiedade, quadros depressivos, transtorno do jogo e, em casos extremos, ideação suicida associada ao endividamento.”


Mais cedo, entidades que representam as plataformas de apostas pediram ao Supremo Tribunal Federal a derrubada da medida provisória que proibiu a exploração e publicidade das bets.


Em seguida, a AGU pediu prazo de 72 horas para se manifestar no processo, que será analisado pelo ministro Luiz Fux.


No entendimento de especialistas consultados pela revista eletrônica Consultor Jurídico, a escolha do governo de proibir as bets por meio de uma MP fere a Constituição, já que o tema não tem a urgência necessária para justificar o uso desse mecanismo.


Fonte: Conjur 

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Bets e jogos online estão proibidos: confira o cronograma das novas medidas

 Decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, como o 'jogo do tigrinho'. Apostadores que ainda tiverem saldo não-usado nas plataformas receberão esses valores de volta. Vício em apostas tornou-se problema de saúde pública


Nesta sexta-feira, 25 de setembro, foi publicada medida provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.


Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas t êm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.


Confira o cronograma das medidas:


- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.


Fiscalização e combate ao mercado ilegal


O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para o bloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.


A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, à exploração e à publicidade das bets.


As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.


Projeto de lei vai tipificar crimes


Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O projeto vai entrar em vigor após aprovação do Congresso Nacional. A proposta tipifica cinco condutas:


exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);

divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);

uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);

facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e

fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou

localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).

Em defesa da saúde pública


Do jogo do bicho ao tigrinho: a história da jogatina e das bets no Brasil

Publicado em 29/09/2026 , por BBC Brasil


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Governo cobra na Justiça gastos do SUS com tratamento de apostadores

Publicado em 29/09/2026 , por Conjur


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A AGU anunciou que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A Advocacia-Geral da União anunciou nesta segunda-feira (28/9) que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelas bets.


A ação civil pública foi protocolada na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 plataformas de apostas esportivas e pede a reparação mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.


A AGU também pediu à Justiça a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia, sintoma que é caracterizado pelo vício compulsivo em jogos. O órgão citou que os gastos do SUS são maiores do que os valores arrecadados pelo governo com os impostos pagos pelas bets, que repassariam cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.


“As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo”, argumentou a autora da ação.


A AGU acrescentou que o modelo de negócio das plataformas é estruturado para maximizar o tempo de engajamento e o volume de apostas, mecanismos que favorecem o vício.


“Esses elementos, tecnicamente equivalentes aos utilizados em jogos de azar com potencial reconhecido de geração de dependência, produzem um efeito colateral sistemático: o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, sob a forma de ansiedade, quadros depressivos, transtorno do jogo e, em casos extremos, ideação suicida associada ao endividamento.”


Mais cedo, entidades que representam as plataformas de apostas pediram ao Supremo Tribunal Federal a derrubada da medida provisória que proibiu a exploração e publicidade das bets.


Em seguida, a AGU pediu prazo de 72 horas para se manifestar no processo, que será analisado pelo ministro Luiz Fux.


No entendimento de especialistas consultados pela revista eletrônica Consultor Jurídico, a escolha do governo de proibir as bets por meio de uma MP fere a Constituição, já que o tema não tem a urgência necessária para justificar o uso desse mecanismo.


Fonte: Conjur 

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Bets e jogos online estão proibidos: confira o cronograma das novas medidas

 Decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, como o 'jogo do tigrinho'. Apostadores que ainda tiverem saldo não-usado nas plataformas receberão esses valores de volta. Vício em apostas tornou-se problema de saúde pública


Nesta sexta-feira, 25 de setembro, foi publicada medida provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.


Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas t êm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.


Confira o cronograma das medidas:


- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.


Fiscalização e combate ao mercado ilegal


O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para o bloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.


A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, à exploração e à publicidade das bets.


As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.


Projeto de lei vai tipificar crimes


Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O projeto vai entrar em vigor após aprovação do Congresso Nacional. A proposta tipifica cinco condutas:


exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);

divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);

uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);

facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e

fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou

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Em defesa da saúde pública


Do jogo do bicho ao tigrinho: a história da jogatina e das bets no Brasil

Publicado em 29/09/2026 , por BBC Brasil


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Trajetória tem capítulos muito anteriores às polêmicas bets que se tornaram problema econômico e de saúde pública e foram proibidas pelo presidente Lula (PT) na última semana.


Proibidos atualmente, tanto na versão online quanto na "presencial", cassinos já foram legalizados no Brasil no passado. Não só legalizados, mas eram entretenimento noturno para muitos.


No famoso Cassino da Urca, que operou como tal de 1933 até a proibição dos jogos no Brasil, em 1946, Carmen Miranda era constante na programação — Ary Barroso, Dalva de Oliveira e Emilinha Borba também frequentavam o palco da casa.


A história da jogatina no Brasil tem capítulos muito anteriores às polêmicas bets que se tornaram problema econômico e de saúde pública recentemente.


Jogo do bicho, cassinos, bingos e bets comungam mais do que a lógica da aposta e o atrativo a jogadores compulsivos; em dado momento, todos se tornaram proibidos no país — as apostas on-line, na semana passada, por medida provisória do governo federal.


O marco jurídico que tornou jogos de azar proibidos no Brasil data do Estado Novo de Getúlio Vargas (1882-1954). Oitenta e cinco anos atrás, em 3 de outubro de 1941, sua gestão publicou a chamada Lei de Contravenções Penais.


Na prática, estava criminalizada a prática de jogos de azar — por definição da lei, jogo "em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte", "apostas sobre corrida de cavalos" fora dos hipódromos - que seguem operando até hoje - e "apostas sobre qualquer outra competição esportiva".


"Apostar em futebol, a partir de uma análise literal da legislação de 1941, sempre foi jogo de azar", comenta o advogado Pedro Ramunno, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.


"Historicamente, o Brasil proíbe a exploração dos chamados jogos de azar", resume a advogada Priscila Arraes Reino, autora do livro Burnout Tem Lei e que, ultimamente, vem analisando casos de ludopatia.


Professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o advogado Marcelo Crespo complementa que a postura brasileira "sempre foi bastante restritiva" em relação à jogatina.


Muito antes da febre do "jogo do tigrinho", um dos alvos da legislação era o famoso jogo do bicho, modalidade inventada pelo empresário João Batista Viana Drummond para incrementar a renda de seu zoológico, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro.


Em 1892 ele criou um sistema em que, junto com o ingresso para o zoo, cada frequentador ganhava um bilhete referente a um dos 25 animais de uma tabela. No fim do dia, um sorteio rendia prêmio aos felizardos que tivessem o bicho contemplado.


A ideia virou sucesso e, em pouco tempo, já tinha ultrapassado — e muito — os muros que cercavam o zoológico. O poder público viu problema na jogatina e começou a criar mecanismos para combater a prática — em 1899, por exemplo, foi instituída uma lei que pretendia punir quem participasse.


Na clandestinidade, o jogo prosperou com uma estrutura complexa de bancas, cambistas e banqueiros, enraizada na sociedade e, ao mesmo tempo, ligada à criminalidade.


Mas se a lei de 1941 enquadrou os jogos de azar, uma exceção, por vezes com contornos de luxo, foi mantida: os cassinos.


O ponto-chave é que o governo Vargas passou a tratar esses espaços de entretenimento e jogatina como exceção, argumentando que os espaços eram importantes para a economia, o lazer e o turismo.


Somente em 1946, já sob a presidência de Eurico Gaspar Dutra (1883-1974) é que os cassinos foram enquadrados: o novo decreto anulou as licenças dessas casas de jogos e revogou normas anteriores que permitiam o funcionamento delas.


"Desde então, o modelo brasileiro é basicamente o que se tem até agora: jogo é proibido, com exceções abertas pelo próprio Estado", diz Ramunno.


Nessa mesma época, foram criadas as bases para as loterias exploradas pelo próprio Estado — jogos de apostas no Brasil se tornaram monopólio de serviços públicos autorizados e regulados pela própria máquina estatal.


Essa estrutura foi regulamentada por decreto do governo Vargas, de 1944 e, mais tarde, já na ditadura militar, em 1967, nova lei consolidou que a loteria federal era serviço exclusivo da União — desde 2020, o privilégio se estendeu aos Estados também.


"Dentro desse contexto, a grande exceção são as loterias", ressalta Ramunno.


"Existe historicamente a distinção entre jogos de azar e a modalidade de apostas expressamente autorizadas por lei, como as lotéricas", esclarece Crespo.


Por isso o mesmo arcabouço legal que lançou o jogo do bicho para a clandestinidade permite a mega-sena, a quina e a loteria federal, entre outras modalidades de aposta — com controle estatal e parte da arrecadação destinada a finalidades determinadas por lei.


Mas não era o fim da linha para o negócio da jogatina. "O esporte já teve uma experiência parecida antes das bets, os bingos", afirma Ramunno.


A partir dos anos 1990, foram liberadas as casas de bingo. Tais espaços foram tratados como exceção temporária e o argumento era que o dinheiro arrecadado com eles seriam revertidos para o financiamento do esporte — o dispositivo estava previsto na Lei Zico, instituída naquele ano. Em 1998, a Lei Pelé manteve a autorização aos bingos — que foram regulamentados.


O modelo acabou, mas não foi de uma hora para a outra. Na sua primeira passagem ao Planalto, o presidente Lula tentou proibir expressamente todas as modalidades de bingo e caça-níqueis, em 2004.


Assim como ocorreu com as bets, ele publicou medida provisória proibindo a atividade.


"É um precedente curioso para o momento atual", afirma Ramunno.


De lá para cá, bingos ficaram restritos a eventos beneficentes e ocasiões como festas juninas. Em uma zona cinza: são tolerados, mas não regulamentados.


Há ainda casos dos títulos de capitalização — o exemplo mais famoso é da Tele Sena, criada em 1991 por uma empresa do grupo do apresentador de TV e empresário Silvio Santos (1930-2024).


Embora tenha premiações e envolva sorteio de números, o seu funcionamento é garantido porque tecnicamente ela não é um jogo, mas sim um investimento — parte do dinheiro se transforma em capital que pode ser resgatado de acordo com as regras do produto, a outra parcela financia as despesas e os sorteios.


No âmbito das apostas on-line, as famosas bets, a autorização foi um pouco diferente.


Em dezembro de 2018, no apagar das luzes do governo de Michel Temer, foi aprovada as chamadas apostas de quota fixa, abrindo espaço para as bets e aplicativos online como o famoso jogo do tigrinho.


"O Brasil não tinha legalizado os jogos de azar em 2018, mas sim o Congresso acabou criando uma exceção legislativa", compara Crespo.


Segundo Ramunno, as apostas de quota fixa foram "encaixadas juridicamente como modalidade lotérica, portanto como serviço público da União, mas explorado por empresas privadas em regime de concorrência".


A lei deu dois anos, prorrogáveis por mais dois, para o Ministério da Fazenda regulamentar. O prazo venceu no fim de 2022 sem regulamentação.


Foi então que se abriu o limbo. "A atividade estava autorizada por lei, mas não havia regra nenhuma", afirma Ramunno.


"As empresas, quase todas sediadas em Curaçao, Malta e outros paraísos regulatórios, entraram no mercado brasileiro pela internet. Não pagavam imposto no Brasil, não tinham que identificar o apostador e não seguiam nenhuma regra de publicidade. Só em dezembro de 2023, com a Lei 14.790, o setor ganhou, de fato, um marco regulatório."


"[No caso das bets] o problema foi que a atividade foi regularizada antes de existir regulamentação", argumenta a advogada Reino. "Esta é uma lição importante: muito mais difícil controlar o mercado depois que ele já adquiriu enorme dimensão econômica e social."


Só em 2023 veio a regulamentação e, de lá para cá, uma série de ajustes e dispositivos foram implementados buscando coibir os problemas financeiros e de saúde desencadeados pela compulsão.


A mesma lei de 2023, além das apostas esportivas, incluiu os chamados "jogos online". "Em outras palavras, caça-níquel, roleta, os crash games, o tigrinho. Então, na prática, o Brasil legalizou o cassino online e manteve proibido o cassino físico, feito de tijolo e cimento", diz Ramunno.


"E qual a diferença para as loterias? Na loteria clássica, o prêmio sai do rateio do que foi arrecadado, o organizador é o Estado e o apostador joga uma ou duas vezes por semana. Na quota fixa, o valor do prêmio fica definido no momento da aposta", compara Ramunno.


"A casa aposta contra o apostador, o operador é privado, o produto está no celular 24 horas por dia, com jogos acontecendo no mundo inteiro a todo minuto. Juridicamente, as duas coisas estão sob o mesmo guarda-chuva de modalidade lotérica. Na prática, são produtos completamente diferentes, inclusive no potencial de causar dependência."


Autor do livro Futebol S/A: A Economia em Campo, o jornalista Anderson Gurgel, professor no Mackenzie, acredita que o problema das apostas do Brasil é que "a sociedade brasileira, de maneira sistêmica, ficou viciada no mundo das bets."


Não só as pessoas que jogam, argumenta ele. "A mídia, o mundo do futebol e a sociedade como um todo ficaram dependentes", diz ele.


Fonte: BBC - Brasil 

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Bets e jogos online estão proibidos: confira o cronograma das novas medidas


Decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, como o 'jogo do tigrinho'. Apostadores que ainda tiverem saldo não-usado nas plataformas receberão esses valores de volta. Vício em apostas tornou-se problema de saúde pública


Nesta sexta-feira, 25 de setembro, foi publicada medida provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.


Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas t êm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.


Confira o cronograma das medidas:


- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.


Fiscalização e combate ao mercado ilegal


O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para o bloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.


A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, à exploração e à publicidade das bets.


As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.


Projeto de lei vai tipificar crimes


Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O projeto vai entrar em vigor após aprovação do Congresso Nacional. A proposta tipifica cinco condutas:


exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);

divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);

uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);

facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e

fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou

localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).

Em defesa da saúde pública


As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.


A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal f ator associado ao suicídio entre apostadores.


O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas s ocioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.


Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.


A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.


Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.


A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.


Fonte: www,gov.br 

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Saiba como as bets adoeceram e endividaram os brasileiros

 “Um grande alívio.” Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sentimento ao ouvir a notícia de que as bets foram proibidas no Brasil. Ele diz que tenta recomeçar a vida depois de perder o carro, a casa e o emprego por causa das dívidas de jogo.


Hoje, Kaio mora sozinho em um dormitório em uma cidade do interior de Goiás. No local, ele se abriga, todas as noites, no chão. Temendo pela segurança, em função de dívidas contraídas com agiotas, preferiu se afastar e ficar longe da família. Ele reconhece que, nos últimos seis anos, o vício em jogos fez a sua vida virar pelo avesso.


Por isso, resolveu procurar ajuda em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde começou, neste ano, a participar de grupos terapêuticos e consultas médicas. Ele toma três remédios por dia.


Desde o início dos alertas sobre o empobrecimento da população e o aumento do vício das bets, a Agência Brasil tem produzido reportagens sobre o tema. Veja aqui todas as matérias publicadas.


A Medida Provisória 1394  que proibiu as bets no país, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), revogou o que estava previsto no capítulo 5 da Lei 13.756, de dezembro de 2018, aprovada no último mês do governo de Michel Temer.


Apesar de terem sido aprovadas em 2018, as bets só foram regulamentadas em dezembro de 2023. Ou seja, as plataformas de apostas funcionavam, mas praticamente sem nem tipo de regra por pelo menos cinco anos.


Foi apenas com a regulamentação que surgiram regras como a necessidade de avisos de desestímulo ao jogo e de advertência sobre seus malefícios que deveriam ser veiculadas pelos agentes operadores.


A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno do controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade representam o grupo mais suscetível ao vício em jogos e foram afetadas por desinformação e publicidade enganosa por todos os lados.


Segundo ela, as pessoas foram atacadas por anúncios que induziam a uma falsa ideia de que o jogo serviria como uma complementação de renda. “São pessoas que querem retornos rápidos induzidas a acreditar que podem ter isso com as bets. Isso se tornou realmente muito perigoso.”


Apenas no ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets (diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio). Isso equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, de outubro de 2024 a março de 2026.


As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.


Os dados foram divulgados no Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).


A lei que regulamentava as bets determinava, por exemplo, que as empresas bloqueassem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Mas, segundo o advogado Júlio Leone, isso nunca ocorreu. Ao contrário, as empresas mandavam inúmeros bônus e anúncios aos jogadores, “É aí que ela perde todo o capital", disse o advogado à Agência Brasil em agosto.


Kaio* reforça que era exatamente isso o que ocorria. “O celular não parava de trazer mensagens.”


Pessoas de todas as idades passaram a ser vítimas das violações cometidas pelas plataformas, inclusive, adolescentes.


Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio disse, no último ano, já ter feito apostas online. O levantamento foi feito a pedido da Frente Parlamentar Mista da Educação pela Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas). O estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país.


Um dos dados de maior impacto mostrava que as apostas começavam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes nessa faixa etária disseram já ter feito apostas.


A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção.


Os especialistas explicam que o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.


“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, diz.


Os profissionais de saúde constataram que apostadores de todas as faixas etárias apresentaram sinais de desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool ou mudanças importantes de comportamento.


Segundo a psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver devem ser motivo de atenção e procura de ajuda.


“A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes”, afirma a psiquiatra.


Ainda de acordo com a especialista, os pacientes mostravam-se extremamente ansiosos em virtude dos prejuízos caudados pelos jogos. “Há quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves já com a ideação suicida em virtude dos prejuízos financeiros que têm”, explica.


O neurocirurgião Orlando Maia afirma que pessoas com essa dependência têm a sensação de que a aposta faz parte do dia a dia, já que buscam um mecanismo de recompensa.  Ele explica que, muitas vezes, as pessoas não reconhecem o problema por si mesmas. “Precisam de pessoas da família ou de amigos que possam ajudar”.


A psicóloga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas famílias procurem ajuda profissional. “Eu trabalho em Caps. Chegam para nós pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoextermínio. É um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento”.


Um dos problemas, segundo os especialistas, é que as apostas online estavam facilmente acessíveis e disponíveis praticamente 24 horas por dia.


"É um cassino dentro do seu bolso", afirmou Luiz Carlos*, 71 anos, integrante do Jogadores Anônimos. ”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais", afirmou em entrevista à Rádio Nacional, dias antes de o governo proibir as plataformas de bets por problema de saúde pública.


Em agosto, com o aumento dos problemas de saúde ligados ao vício em jogos, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o número de teleatendimentos mensais a pessoas que enfrentam problemas relacionados a apostas online.


Com o anúncio de proibição das bets, na sexta-feira (25), o Ministério da Saúde anunciou que aumentará os esforços para contatar apostadores contumazes, oferecendo acompanhamento e tratamento nos casos necessários. Segundo o ministro Alexandre Padilha, haverá políticas de busca ativa, a partir de dados compartilhados pelos ministérios da Fazenda e da Segurança e pela Receita Federal.


*Nomes fictícios a pedido dos entrevistados


Fonte: Agencia Brasil

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Caneta com semaglutida vinha sendo divulgada irregularmente para o consumidor


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta sexta-feira (25/9) a propaganda do medicamento Semavy (semaglutida). O produto, fabricado pela Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. (CNPJ: 61.082.426/0002-07), está aprovado na Anvisa com indicação para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.


A propaganda de medicamentos com tarja vermelha ou preta é proibida no Brasil.


A Anvisa constatou a realização de propaganda do medicamento, por meio de painéis eletrônicos localizados no Aeroporto de Congonhas, no site do produto e em contas de redes sociais.


Propaganda de medicamentos sob prescrição


Para o público em geral, a Lei 6.360/1976 só permite a publicidade de medicamentos de venda isenta de prescrição médica, ou seja, medicamentos que não possuem tarja vermelha ou preta em suas embalagens.


Os medicamentos que exigem prescrição médica (tarja vermelha ou preta) devem ter a sua divulgação restrita aos profissionais de saúde que podem receitar (médicos ou dentistas) ou dispensar (farmacêuticos) medicamentos. A Semavy é um produto de tarja vermelha e está sujeita à retenção de receita médica em duas vias, assim como todos os medicamentos do tipo GLP-1.


Fonte: www,gov.br 

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TST marca julgamento da greve na Caixa; o que pode acontecer? Como ficam contas e benefícios?

 Com a greve entrando na terceira semana, TST assume papel central nas negociações e poderá buscar uma conciliação ou decidir sobre o impasse entre a Caixa e seus empregados.


O Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcou para a próxima terça-feira (29), às 14h30, o julgamento do dissídio coletivo envolvendo a Caixa Econômica Federal e seus empregados, que estão em greve nacional desde 10 de setembro.


A decisão ocorre após uma tentativa de mediação realizada pelo próprio tribunal terminar sem acordo entre banco e trabalhadores.


Com o impasse mantido, a Caixa decidiu levar o caso à Justiça do Trabalho por meio de um dissídio coletivo, instrumento usado quando empregadores e trabalhadores não conseguem chegar a um acordo na negociação.


Mas o que pode acontecer agora? E como a greve afeta clientes, contas e benefícios sociais?


Agora, o TST vai analisar o conflito entre a Caixa e seus empregados, cujo principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de saúde dos trabalhadores do banco. Os empregados rejeitaram três propostas apresentadas pela instituição ao longo das negociações.


Durante o julgamento, os ministros poderão tentar uma nova conciliação entre as partes. Caso não haja acordo, o TST poderá decidir sobre os pontos em disputa e estabelecer condições que deverão ser observadas pelo banco e pelos trabalhadores.


Na prática, o tribunal pode ajudar a construir um acordo ou, se isso não for possível, determinar uma solução para encerrar o impasse.


O simples julgamento do dissídio não encerra automaticamente a paralisação. A continuidade ou não da greve dependerá do andamento do processo e das decisões que forem tomadas pelo tribunal e pelos representantes dos trabalhadores.

Enquanto isso, o movimento segue por tempo indeterminado.


Como ficam as contas?


Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a greve não suspende a obrigação de pagar contas, boletos ou parcelas dentro do prazo de vencimento. O consumidor deve buscar canais alternativos para evitar multas e juros por atraso.


A orientação é utilizar:


aplicativo da Caixa;

internet banking;

caixas eletrônicos;

casas lotéricas;

estabelecimentos autorizados a receber contas e boletos.

Fonte: G1 

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BC reduz para 1,8% estimativa de alta do PIB neste ano e vê nova desaceleração em 2027

 Redução no ritmo de crescimento da economia acontece em um cenário de juros ainda altos para tentar conter a inflação. Moderação da atividade neste ano e no próximo tende a criar, também, problemas orçamentários para o governo.


O Banco Central (BC) reduziu sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 2% para 1,8%. A informação consta no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira (24).


Com isso, a autoridade monetária estima desaceleração da economia neste ano, visto que, em 2025, o PIB cresceu 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.


De acordo com o BC, a queda na estimativa de alta do PIB deste ano incorpora os primeiros indicadores do terceiro trimestre, que sugerem atividade mais fraca do que o previsto anteriormente, e, também, quanto uma "composição menos favorável do crescimento no segundo trimestre".


Nova desaceleração em 2027


A instituição prevê alta de 1,4% para o Produto Interno Bruto no próximo ano com "expectativa de expansão moderada tanto nos componentes da oferta quanto na demanda".


Problemas orçamentários


Esse também é um dos motivos para a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, projetou ter projetado, para o próximo ano, um déficit nas contas do governo da ordem de R$ 86,1 bilhões - enquanto o governo estima saldo positivo de R$ 18,6 bilhões.


Por conta disso, a IFI avaliou que o governo eleito terá de realizar um bloqueio de gastos no início do próximo ano para tentar atingir a meta de superávit nas suas contas.


Fonte: G1

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Do campo à gôndola: por que o preço dos alimentos muda tanto

Análise mostra que café e leite repassam mais rapidamente as oscilações do campo, enquanto carne e arroz têm mecanismos que amortecem a variação até chegar ao consumidor.


O preço recebido pelo produtor rural e o valor pago pelo consumidor no supermercado não caminham necessariamente na mesma velocidade e, em alguns produtos, a diferença pode ser grande. Uma análise feita pela CNN mostra que café e leite tendem a transmitir mais rapidamente as oscilações da origem para a gôndola, enquanto a carne bovina tem um repasse mais lento e parcial. No arroz, a transmissão também ocorre, mas outros fatores ajudam a explicar por que o preço no supermercado pode resistir mesmo quando a cotação no campo recua.


Os dados ao produtor foram medidos pelo Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada), com os preços ao consumidor acompanhados pelo Dieese. Também foram apresentados a economistas.


A diferença aparece com clareza no café. O preço do café arábica medido pelo Cepea saiu de R$ 991 por saca em janeiro de 2024 para R$ 2.628 em fevereiro de 2025, uma alta superior a 160%. Em São Paulo, o preço ao consumidor passou de R$ 25,73 para R$ 50,04 por quilo no mesmo período. A análise estima uma defasagem de dois a quatro meses e um repasse de 75% a 90% da variação do produtor para o consumidor.


Em 2026, o movimento se inverteu. O preço do café arábica caiu de R$ 2.179 por saca em janeiro para R$ 1.477 em junho. No varejo paulista, a queda foi menor: de R$ 68,40 para R$ 61,02 por quilo.


Leite tem repasse rápido; no caso da carne, demora


No leite, a relação é ainda mais direta. A correlação entre o preço recebido pelo produtor e o preço ao consumidor em São Paulo chega a cerca de 0,92, com uma defasagem estimada de zero a um mês. Em 2022, por exemplo, o preço líquido recebido pelo produtor passou de aproximadamente R$ 2,14 para R$ 3,57 por litro entre janeiro e julho, enquanto o preço ao consumidor subiu de cerca de R$ 4,82 para R$ 8,78.


Na carne bovina, o repasse é mais lento e menos completo. A análise encontra correlação de 0,776 entre os preços e estima uma defasagem de aproximadamente três meses. O repasse da variação do boi para o consumidor fica na faixa de 35% a 55%.


Isso ajuda a explicar por que uma queda na cotação do boi não necessariamente aparece imediatamente no açougue. Além do intervalo entre a formação do preço na origem e a chegada ao consumidor, a carne disputa espaço com outras proteínas, como frango, suíno e ovos. Se o preço da carne sobe muito, parte da demanda pode migrar para esses produtos, limitando o quanto da alta consegue ser transferido para o consumidor.


Por que o preço não chega igual do campo à gôndola?


Para Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro, não existe uma regra única para o repasse. Um dos fatores é a elasticidade-preço da demanda: produtos básicos tendem a sofrer menos redução de consumo quando ficam mais caros, enquanto produtos com mais substitutos ou considerados menos essenciais são mais sensíveis ao preço.


Também importa o número de etapas entre a produção e o consumidor. Indústria, transporte, distribuição e varejo podem absorver temporariamente parte das oscilações da matéria-prima. Além disso, quanto menor for a participação do produto agrícola no custo final, menor tende a ser o impacto de uma mudança na cotação da origem sobre o preço na prateleira.


A diferenciação também conta. Produtos com diferentes níveis de qualidade, marcas e segmentos premium têm maior possibilidade de formar preços distintos ao longo da cadeia. E há ainda a exposição ao mercado externo: quando uma commodity pode ser exportada, a produção doméstica não necessariamente fica disponível integralmente para abastecer o mercado brasileiro.


É o caso do arroz. Em 2020, o preço do arroz em casca passou de R$ 64,67 para R$ 105,38 por saca entre o início do ano e julho-outubro, alta de 63%. No mesmo período, o preço ao consumidor em São Paulo subiu de R$ 3,25 para R$ 4,60 por quilo, avanço de 42%. Já entre 2023 e 2024, o preço ao produtor voltou a subir, de R$ 81,92 para R$ 127,36 por saca, enquanto o preço ao consumidor avançou de R$ 4,13 para R$ 4,94 por quilo.


O movimento inverso também é importante. Em 2025, o preço ao produtor caiu de R$ 99,72 para R$ 53,06 por saca, recuo de cerca de 47%. No varejo, porém, a queda foi bem menor: de R$ 5,30 para R$ 4,55 por quilo.


Para André Braz, economista da FGV IBRE, há uma particularidade importante no caso do arroz: ele é uma commodity que também faz parte da pauta de exportação brasileira. Assim, uma safra maior pode pressionar a cotação recebida pelo produtor sem que toda essa produção adicional fique disponível no mercado doméstico.


“Se a safra foi boa, o preço pode cair ao produtor pelo excesso, mas uma parte dessa produção é exportada. Então, na gôndola, a oferta doméstica fica mais estável e o preço cai pouco”, explica Braz.


O frete é outro componente relevante. Quanto mais distante o consumidor estiver das regiões produtoras, maior o peso do transporte na formação do preço final. E, em períodos de alta do diesel, esse custo pode aumentar ainda mais.


Há ainda uma característica própria do arroz: o peso na alimentação do brasileiro. “Arroz com feijão está no prato do brasileiro praticamente no almoço e no jantar”, afirma Braz. Como é um item básico, consumido em todo o país, a demanda tende a ser mais resistente às oscilações de preço. Isso pode dar maior rigidez ao valor na gôndola, mesmo quando a cotação recebida pelo produtor recua.


O que isso significa para a inflação dos alimentos?


A análise mostra que não basta olhar apenas para o preço recebido pelo produtor para antecipar o comportamento dos alimentos no supermercado. É preciso considerar a velocidade do repasse, o tamanho da variação, o peso da matéria-prima no produto final, a existência de substitutos, os custos de transporte e processamento e a possibilidade de exportação ou importação.


Em termos de impacto sobre o orçamento das famílias, a carne bovina tem peso maior, seguida pelo leite, café e arroz. O café, por sua vez, merece atenção quando há choques fortes de oferta porque combina grande variação de preços com elevado grau de transmissão. O leite se destaca pela velocidade com que as mudanças chegam ao consumidor. Já a carne tem um efeito mais estrutural, associado ao peso no orçamento, ao ciclo pecuário e às condições do mercado externo.


A principal conclusão é que não existe uma “regra de três” entre o preço no campo e o preço no supermercado. Cada cadeia tem mecanismos próprios de absorção e transmissão. Uma queda de 40% na matéria-prima, portanto, não significa que o consumidor verá necessariamente uma queda de 40% na gôndola — assim como uma disparada na origem não precisa chegar integralmente ao varejo.


Fonte: CNN Brasil